Encontros de primavera: artes, letras e tretas!

 

 Os Encontros de primavera que decorreram, pela primeira vez, neste formato na nossa biblioteca concretizaram uma vontade, presente no Plano Anual de Atividades, para criar mais laços entre a escola e a família! A qualidade dos participantes, entre a arte lindíssima dos Hobbies da Lucinda, a quem agradecemos de coração, ao brilho saltitante e exímio dos bailarinos Lara e Martim, sempre acompanhados por Ana Monteiroà extraordinária, doce e terna poesia de Cândida Pinto, ao André Ferreira… o sucesso de uma voz única que agarra a plateia num crescendo de sorrisos participantes!
Quanto à oportunidade… conhecimento, aprendizagem…celebração do Dia da Poesia e neste dia da árvore, lançamento de mais uma semente ao serviço dos afetos! Aos alunos, o nosso OBRIGADA! À Magui, sempre presente! Aos PROFESSORES que…apesar do cansaço e das reuniões… ficaram até ao fim!
A todos o nosso ENORME agradecimento!

 Aos que perderam a oportunidade de conhecer o outro lado da escola…para a próxima apareçam! Contamos com o vosso entusiasmo e participação!

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Aqui acontece…tudo aquilo que faz bem à alma!

___________”Hoje, tomei a decisão de ser Eu. Um raio deslumbrou-me de lucidez. Nasci.”
___________Fernando Pessoa, in “Páginas íntimas de auto-interpretação.”
E se hoje tomei a decisão de ser Eu, a noite cai apenas sobre o tempo, sobre o mar, sobre os dias submersos do meu corpo….
Deslumbrada de lucidez, sou fonte entre as ervas rebeldes gemendo em magnólias acesas pela madrugada fora, cidade que dorme sozinha num sono branco, doce e sensual. Em poucas salas acomodo a minha solidão e, assim, não guardo o meu cansaço em desesperos de eternidade. Quero ser sozinha, vestir os meus pés de caminhos lisos, percorrer silêncios e, no primeiro olhar de um recém nascido, pintar magnólias rosa que já não doam no meu peito. Voz calada, gotícula de mel, mãe de todos os órfãos, sou tela nua de branco, íris ardendo, recife de coral, céu de primavera….
Nos meus lábios amarrotados há uma flor cortada no jardim e, nos meus olhos vivos, dispo todos os restos de mim. Fico. Sento-me na estrofe de uma ilha e, num triângulo solitário, aliso versos que conversam comigo na única aresta roxa onde vou espreitando algum horizonte de mim….
E se um raio me deslumbrou de lucidez, lanço todas as palavras no papel e espalmo as minhas mãos: mãos de afogada que sempre morreu à sede; a doce embriaguez do pálido céu azul, entoa um imenso cântico num jeito de partir o pão que deve ao tempo a minha devoção coalhada……..
O tempo não cura, apenas se esgota, apodrece e renova; a minha memória é pedra lisa desgastada pelo tempo e, sempre que estiver triste, lembro-me dos dias em que parto o pão, semeio a vida e, fazendo-me renascer na boca da terra em magnólias inocentes, divido-me entre o ínfimo Eu que morre e o infinito Eu que cintila em aguarelas.
Nasci. Canto um linho agudo com um pequeno feixe de vida…………
__________( 01.04.2018; candida pinto )

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